domingo, 18 de dezembro de 2011

O BEM ESTAR

Mente sã em corpo são.
O Homem em toda a sua plenitude deve usufruir de bem estar físico e de bem estar moral e espeiritual.
As políticas públicas inseridas nos princípios filosóficos que inspiram o Estado Providência preocupam-se, praticamente, só com o bem estar físico dos cidadãos inseridos nas condições ambientais que os rodeiam.
Em Portugal as instituições que garantem a operacionalização das políticas públicas da chamada segurança social vêem constrangidas a seguir as linhas de política que visam, quase em exclusividade, garantir o bem estar físico dos cidadãos.
Particularmente as Misericórdias enquanto instituições que corporizam a prática das políticas públicas têm sido obrigadas a priviligiar acções no âmbito das 7 Obras de Misericórdias Corporais.
Perante esta realidade constata-se que as Misericórdias, por imperativos externos, estão impossibilitadas do cumprimento total da sua missão e que é o cumprimento integral das 14 Obras de Misericórdia.
A acção das Misericórdias é desta forma empobrecida o que as assemelha, neste campo, a instituições filantrópicas. A acção enquadra-se mais no âmbito da solidariedade do que na da Caridade Cristã. Esta olha para o Homem na sua plenitude, do corpo mas também da alma, enquanto a solidariedade olha mais para o Homem enquanto corpo.
Ainda assim as Misericórdias têm procurado ir mais além do que garantir sóo bem estar físico dos cidadãos por si acolhidos ou assistidos.
As Misericórdias têm procurado garantir as melhores condições possíveis de bem estar aos cidadãos que assistem e acolhem. E têm-no feito de uma forma exemplar. De tal forma exemplar que as Misericórdias são as instituições de âmbito local muito respeitadas e reconhecidas.
Depois da nacionalização dos hospitais, nas últimas 3 décadas e meia, as Misericórdias direccionaram as suas acções para as crianças, e sobretudo para as pessoas idosas. Muitas e diversificadas respostas sociais foram criadas onde cidadãos são assistidos e/ou acolhidas.
As carências eram e são tantas que as Misericórdias não foram, não são e jamais serão capazes de coresponder a todas as necessidades das sociedades locais. Ainda assim direccionaram-se para o mais premente. E têm-no feito bem e, genericamente, a contento dos cidadãos e das famílias.
Da impossibilidade de as Misericórdias poderem corresponder às necessidades do presente têm surgido novas e diversificadas respostas sociais adaptadas e especializadas. A proliferação de outras instituições que não Misericórdias tem sido uma realidade.
A necessidade de especialização inviabiliza qualquer possibilidade de uma única instituição prestar todos os serviços que os cidadãos mais necessitam, tanto mais que os destinatários dos serviços e acções das instituições sãoos mais débeis,os mais pobres.
As Misericórdias mais direccionadas para o apoio e assistência às pessoas idosas criaram e mantêm equipamentos sociais de elevada performance muito dos quais já certificados e muitos mais e fazer o percurso prévio à certificação.
O que as Misericórdias têm feito, nestes últimos 35 anos e continuam a fazer procura corresponder às necessidades mais básicas, procurando garantir o bem estar físico dos cidadãos assistidos e acolhidos. Há muito que as Misericórdias não são capazes de corresponder a todas as solicitações dos cidadãos e respectivas famílias.
Há ainda neste campo da solidariedade muito a fazer. E principalmente ações direccionadas às pessoas idosas. Nos próximos 40 anos, em média, o número de pessoas acima dos 65 anos crescerá 40.000 todos os anos. E é nas idades mais avançadas que o n.º de pessoas idosas mais crescerá.
É pois fundamental que as Misericórdias acompanhem a evolução social e procurem corresponder à generalidade das necessidades de acolhimento e assistencias dessas pessoas.
A situação que Portugal e a Europa atravessam requerem reflexão prospectiva. O que é que as Misericórdias poderão fazer de futuro para corresponder às necessidades das comunidades onde se inserem?
As necessidades não pararão de crescer quer em número quer em complexidade. Concomitantemente, os recursos,sobretudo os financeiros,estão num período de decréscimo continuado, não se perspectivando quando se inverterá a actual tendência.
Acresce que muitos equipamentos sociais, nomeadamente, lares e centros de acolhimento, necessitam de remodelação e ampliação. Sendo certo que o Estado continuará a sofrer de carências para apoiar as necessidades de investimento das Misericórdias, será desejável que se reflita em conjunto sobre o futuro.
As Misericórdias estão a ser confrontadas com crescentes dificuldades de vária natureza. Estas dificuldades podem coinstituir um estímulo para a procura de soluções sustentáveis. A superação dessas dificuldades não poderá depositar muitas esperanças nos recursos públicos com origem no Orçamento Geral do Estado.
Ao logo da sua longa história as Misericórdias foram capazes de encontrar as soluções possíveis comos recursos disponíveis. Novos tempos, com novas respostas aos desafios do futuro, se aproximam. É fundamental inovar. É necessário estar atento à evolução social. É necessário corresponder aos anseios das populações. É necessário que a esperança não desapareça.
As Misericórdias são Instituições inspiradas na Doutrina Socialda Igreja. As suas acções e intervenções são concretizadas por Homens de Fé. E a Fé move montanhas.
A força dos Homens que servem nas Misericórdias aliada à Fé Cristã possibilitará encontrar soluções para os problemas do presente assim como do próximo futuro.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O HOMEM

É o fim.
É o princípio.
É a razão de ser, de estar e de agir.
O Homem é a causa da Solidariedade e a consequência da falta dela.
O Homem está na essência do pensar e concretizar a Caridade (designação onde cabe o entendimento generalizado do conceito de Solidariedade).
O Homem é um ser eminentemente social. A felicidade e o bem estar só é possível ser atngido, em plenitude, numa sociedade equilibrada e homogénia na diferença.
O Homem é o universo de cidadãos do mundo que nascendo iguais, o desenvolvimento social individual gera diferenças, desigualdades e iniquidades.
As sociedades vivem num equilíbrio instável onde, indesejavelmente, a pobreza e a exclusão marcam presença.
É no reconhecimento de situações de desigualdade que conduz ao pensar e agir em prol dos mais fracos, dos mais pobres e dos mais desprotegidos.
É na defesa destes que surgiu a Dourina Social da Igreja (DSI). Apesar deste conceito ser relativamente recente, esta Doutrina é tão antiga quanto a existência do Homem na Terra. Porque apesar de os homens nascerem todos iguais assim não permanecem enquanto vivem.
As situações de desigualdade são tão antigas quanto a humanidade. A DSI preocupa-se, principalmente, com os mais pobres, com os mais desfavorecidos.
É neste contexto de apoio e assitência aos pobres e desprotegidos que surgiram, agiram e se mantêm actuais as Misericórdias.
As Misericórdias são instituições inspiradas na DSI e para a prática das 14 Obras de Misericórdia. As Misericórdias "olham" para o Hmem em toda sua plenitude e tentam contribuir para o seu bem estar e felicidade.
A constatação da exstência de desequilibrios socias, de desigualdades, de iniquidades impelem os mais sensíveis para a acção em prol daqueles que já não dispõem de vida com o mínimo de dignidade. A verdadeira felicidade só é atingível quando não formos confrontados com situações de pobreza e de exclusão.
O espírito de ajuda mútua conjugado com a vontade de contribuir para a felicidade humana leva a que aqueles que mais podem se disponibilizem para ajudar os que mais necessitam. Tem assim concretização a Doutrina Social da Igreja (DSI)., contribuindo para o bem estar e para a felicidade do próximo.
O Homem ao nascer igual e ao ser filho de um mesmo Deus, somos todos considerados filhos de um mesmo Pai. Nascemos e morremos Irmãos. É também com este inspirito que somos chamados a contribuir para o bem estar e para a felicidade do Homem.
Para contribuir na construção da Irmandade universal foram criadas as Misericórdias para devolver a dignidade perdida por aqueles Irmãos que pelas mais diversas razões a perderam.
O empenho e dedicação posto na missão ao serviço do Irmão em perca têm ao longo de século contribuido para atenuar ou erradicar o sofrimento de muitas e muitas gerações. A riqueza deste modelo consubstanciado nas Misericórdias reside, precisamente, na sua inspiração doutrinal.
É a Doutrina Social da Igreja que define os princípios que os Cristãos que servem nas Misericórdias devem seguir e procurar cumprir e fezer cumprir. Entre esses princípios deveremos salientar os do Dom e da Gratuidade.
E destacaremos estes princípios porque serão os primeiros que todos aqueles que servem nas Misericórdias (neste universo incluímos a União das Misericórdias Portuguesas - UMP), em cargos de administração - nos órgãos sociais - devem respeitá-los.
É, pois, um imperativo doutrinal, moral e ético servir nas Misericórdias respeitando os princípios do Dom e da Gratuidade. Estes princípios estão presentes na DSI desde tempos imemoriais. Quer isto dizer que desde sempre aqueles que mais têm devem colocar ao serviços dos seus Irmãos em dificuldades. E esta missão não está destinada a uma qualquer pessoa em particular mas sim ao universo dos Irmãos que constituem a Irmandade institucional de todas e cada uma das Misericórdias.
Estes princípios o do Dom e do Gratuidade constituem imperativos a que todos aqueles que estão em cargos dos órgãos sociais das Misericórdias têm o estrito dever de cumprir e fazer cumprir.
Estes princípios bem explícitos e imperativos a que todos os que servem, particularmente, nas Misericórdias devem obdiência tem a sua fundamentação no seguinte: os que mais podem e os que mais têm têm o dever de dar do que é seu aos que mais necessitam, de uma forma gratuita.
Os recursos, as capacidades e as vontades devem ser disponibilizadas - dadas de forma gratuita - aos que delas têm necessidade.
A utilização dos recursos institucionais para benefício próprio para além de constituir uma nítida violação dos princípios enunciados, podem até constituir crime. E tal não será minimamente aceitável em instituições que existem para a prática do bem de uma forma bela.
Trabalhar, empenhadamente, de forma gratuita dando o que de melhor tem o ser humano é imperativo moral e ético de todos aqueles que se disponibilizam para servir nos cargos dos órgãos sociais das Misericórdias.
Assim será possível continuar a construir o caminho da Irmandade universal onde todo o Homem tendo a mesma dignidade, conquistando a sua liberdade, a sua felicidade e o seu bem estar. Esta missão é obrigação colectiva.
Porque os recursos são sempre escassos, estes devem ser destinados sempre e em priemiro lugar no combate à pobreza e à exclusão.
Inspirado da Doutrina de Cristo e praticando-a será mais fácil atingirmos a plenitude da realização pessoal. Acreditando, tendo Fé, e estar atento àqueles que por circunstâncias de vária ordem perderam a capacidade de se valerem a si próprios. Só a ajuda e o apoio de tereceiros que se disponham a ajudar e apoiar dando de si e de todos quantos se disponibilizem será possível ultrapassar as dificuldades que se revelam impossíveis de superar de uma forma isolada.
Sempre que um dos mais pequeninos os fizestes a Mim próprio o fizeste. Este é o reconhecimento divino que chegará no momento do Juízo Final. Será por aquilo que fizémos pelos outros e para os outros sem daí extrair quaisquer benefícios que todos seremos julgados.
Servir, ajudar e apoiar os que mais necessitam é uma das formas de realização humana e é também um caminho de salvação. Foi este caminho de salvação que fomos chamados a percorrer com Caridade, no Amor ao próximo, porque esse próximo foi criado à semalhança do Deus que Amamos sobre todas as coisas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mário Azevedo: Combatente da cidadania




Mário Azevedo: Combatente da cidadania
2011-12-13

autor: Costa Guimarães

Faleceu anteontem Mário de Pinho Ferreira de Azevedo, que se destacou como provedor da Santa Casa de Misericórdia de Barcelos, para além de militar em outras organizações culturais e associativas da Princesa do Cávado. O seu funeral realiza-se hoje.
Este engenheiro de minas nasceu em Barcelos a 14 de Fevereiro de 1927 e exerceu a profissão durante doze anos nas Minas do Pejão, contribuindo para modificar totalmente os métodos de extracção de carvão mineral.
Foi Administrador-Gerente da Cooperativa do Pessoal Mineiro do Pejão.
Ali começou por ser presidente da Conferência de S. Vicente de Paula e foi director do Pejão Atlético Clube.
Em 1968, recebeu a Placa de Prata de agradecimento da paróquia de Pedorido (Castelo de Paiva) e foi eleito presidente do Conselho Municipal de Barcelos, antes e depois do 25 de Abril.
Foi um dos provedores fundadores da União das Misericórdias Portuguesas, em 1976. Foi Secretário da Mesa da Assembleia Geral da União e, entre 1991 a 1993, foi director do Jornal “A Voz das Misericórdias” que lhe valeu a primeira Medalha de Benemérito da mesma.
Foi, de 1959 até 1996, Juiz da Confraria de Nossa Senhora da Franqueira (apenas com interregno de 6 anos (1984/90) e desde 1962 até 1989, presidente da Assembleia Geral dos Bombeiros Voluntários de Barcelos e assumiu também a função de presidente da Direcção durante cinco anos.
A Liga dos Bombeiros Portugueses atribuiu-lhe a Medalha de Ouro duas estrelas, em 1967. Nesse mesmo mês foi-lhe atribuído o grau de Comendador da Ordem de Mérito e Integração e o Diploma de Benemérito desta Sociedade Brasileira de S. Paulo. No ano de 1984, foi nomeado Sócio Benemérito dos Bombeiros Voluntários de Barcelinhos, e dos Bombeiros Voluntários de Barcelos.
Em Setembro de 1988, recebeu das mãos do Presidente da República, a 2.ª Medalha de Ouro de Serviços Distintos.
Foi fundador do Rotary Clube de Barcelos, em 1964, e percursor da fundação do Lyon’s Clube de Barcelos.
Em 1967, assumiu o cargo de presidente do Centro de Artesanato e revitalizou o Rancho Folclórico de Barcelinhos. Em 1990, recebeu Diplomas de Sócio Honorário e de Sócio Benemérito do Grupo Folclórico de Barcelinhos e fomentou a criação do Coral de Barcelos.
De 1969 a 1974, desempenhou o cargo de vice-provedor na Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, o mesmo aconteceu na provedoria seguinte do Dr. José Gualberto Sá Carneiro, porém a partir de 1976, passa a provedor por renuncia daquele.
Todas as infra-estruturas existentes actualmente são obra das diversas provedorias do Eng. Mário de Azevedo, pois em 1976, a Misericórdia de Barcelos apenas possuía o Asilo de Inválidos e o Novo Hospital que havia sido nacionalizado após o 25 de Abril.
Em 1986 celebra o acordo com Segurança Social dando início do funcionamento do Centro Infantil de Barcelos e no ano seguinte constrói o Lar Rainha D. Leonor e Infantário Rainha Santa Isabel. Depois do ATL, segue-se em 1990 a construção do Lar da Misericórdia e a renovação do Lar de Dependentes.
Depois surgem a Clínica de Fisioterapia, a Creche As Formiguinhas, o restauro da Igreja, a Clínica de Hemodiálise e restauro do órgão, a construção das Capelas Mortuárias e do polivalente do Lar Rainha D. Leonor e as Comemorações dos 500 anos, antes da construção do Lar Santo André.
Correio do Minho

domingo, 11 de dezembro de 2011

O CAMINHO

O caminho faz-se caminhando.
Mas a escolha do caminho tem que ser criteriosa e acertada sob pena de não se conseguir atinar com o destino.
E a caminhada tem que ser adequada quer ao caminho quer às circunstâncias quer às condições dos caminhantes.
Tudo isto tem envolve uma harmonia estrutural e circunstancial de forma a permitir chegar ao fim com sucesso. Sabendo, no entanto, que o caminho jamais terá fim compatível com a longevidade humana. Mas que esse mesmo caminho tem percursos, estes sim perfeitamente compagináveis com a nossa presença terrena.
A opção do caminho é tão antiga como a própria humanidade. Já muito antes do nascimento de Jesus Cristo, os Profetas tinham feito a opção preferencial pelos pobres. Este tem que ser o caminho das Misericórdias.
Este é o caminho.
A forma de o percorrer é opção dos Homens. Mas sempre circunscritos aos limites estabelecidos: a opção preferencial pelos pobres. É, assim, definido de uma maneira muito clara o caminho e estabelecidos os seus limites.
As Misericórdias e a sua União deverão ter sempre presente quer no pensamento quer nas palavras quer na acção o caminho e os seus limites.
Se não for este o caminho escolhido jamais será possível atingir o destino (no caso concreto os destinatários: o pobres). E se não se respeitarem os limites corre-se um duplo risco: o de não encontrar o destino por opção do caminho errado e, simultaneamente, podem ocorrer despistes, indesejáveis.
Feita que foi a opção na origem (fundação das Misericórdias) da opção preferencial pelos pobres, iniciou-se um caminho sem retorno, mas em permanente construção, para que os avanços civilizacionais sejam sustentáveis.
A construção deste caminho tem como alicerce a Doutrina Social da Igreja tão velha quanto a humanidade. E só o respeito e consideração pelos princípios e valores doutrinais inspiradores conseguiram que a missão tenha sido cumprida ao longo de séculos, apesar dos desvios. Estes terão sempre que merecer a devida correcção para que o destino traçado não se perca do horizonte das intenções.
A intenção de socorrer os mais pobres tem que se traduzir em actos. Estes requerem sempre vontades, disponibilidades, Homens imbuídos de espírito inspirado na Doutrina, capacidades, conhecimentos e recursos. Tudo isto tem que ser conseguido e posto ao serviços, exclusivo dos mais pobres.
Sempre e quando tal não ocorrer estão a ser desvirtuados os princípios e valores próprios. Partticularmente, numa situação de crise como a actual a sensibilidade para a utilização dos recursos da forma mais adequado e criteriosa é imperativo não só de consciência mas sobretudo de obrigação moral e ética.
Atenção redobrada quando os recursos começam a ser cada vez mais escassos. Maior rigor é exigido na sua utilização, já que importa ter que se conseguir mais e melhor com menos.
O caminho definido de partida fica mais esteito, os limites tornam-se mais restritivos pelo que a acção implica rigor de pensamento, palavras e actos.
Quando alguém se permite utilizar esses recursos em benefício próprio para si e para os seus próximos em detrimento daqueles que sofrem, mai cedo ou mais tarde alguém há-de corrigir esses desvios e exigir a correspondente recompensa por percas e danos.
Sempre assim foi ao longo da história e sempre assim será até ao fim da humanidade.
Quem se mete no caminho traçado da opção preferencial pelos pobres e utilize os recursos destinados à sua construção para atingir os destinatários em benefício próprio, algum dia terá que merecer a correspondente penalização. Quem sabe se até não passará a ser um dos destinatários.
Na actualidade o caminho por que as Misericórdias optaram está mais estreito e com limites mais elevados. Importa pois que os recursos de que institucionalmente se dispõe sejam postos, em exclusividade, ao serviço dos mais pobres, que não páram de aumentar em número e em necessidades.
Tenhamos presente que nesta época de crescentes dificuldades os princípios doutrinais do Dom e da Gratuidade deverão estar ainda mais presentes no espírito de quem abraça a causa e sobretudo em todos os actos em que se é chamado a intervir.
A esteiteza do caminho não admite erros. Estes a existirem revelar-se-ão de desastrosas consequências quer para os destinatários das acções quer mesmo para aqueles que os cometem. E as consequências para estes serão particularmente devastadoras.
Estamos metidos num caminho sem grandes margens de erro. Onde várias são as opções possíveis. Mas qualquer dessas opções terá que utilizar todos os recursos disponíveis no combate à pobreza e à exclusão.
Não são aceitáveis desvios a favor dos gestores dos recursos destinados ao combate à pobreza. Nem em benefício próprio nem para seu usufruto. Ter-se-á mesmo que revelar o combate sem tréguas as esses desvios. Até porque só conduzirão a um progressivo aumento da pobreza que se quer combater.
As opções de percurso sendo possíveis várias alternativas, devem ser tomadas conscenciosamente de forma a melhor rendibilizar os recursos que são necessários ao investimento. A margem de manobra é escassa. A vontade tem que ser redobrada e o espírito de caridade Cristã, onde incluímos a Solidariedade, tem que estar presente e as acções serem consentâneas com tais desideratos.
Estamos a ser chamados a um caminho de verdade. De respeito pelo utilização dos recursos disponíveis de uma forma sustentada. De altruísmo, sobrepondo os valores do Amor pelo próximo. Da filantropia enquadrada pelos princípios a que jurámos, pela nossa Honra, respeitar, fielmente.
O caminho a ser percorrido será tanto mais fácil quando mais apoiado for quer em termos doutrinais quer em termos humanos.
Laços de fraternidade importa aprofundar e consolidar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O FUTURO

Como diz a sabedoria popular: o futuro a Deus pertence.
Se esta afirmação pode ser considerada válida na sua dimensão do absoluto, a verdade é que o nosso futuro está muito dependente do que nós formos capazes de realizar, ou não.
E se o nosso futuro a muito longo prazo estará nas mãos de Deus, o nosso futuro próximo está nas nossas e nas de Deus, mas mais nas nossas.
É, por isso, importante que sejamos capazes de projectar o nosso futuro tendo sempre presente que tal deverá ter sempre presente um caminho de procura da felicidade e do bem estar, sabendo que esse caminho está repleto de dificuldades. Não será necessário acrescentarmos mais às que serão naturais.
No Mundo as dificuldades podem ser encaradas de duas formas. Tomar decisões acertadas que as possam superar ou estar, permanentemente, a afirmar que a culpa de tais dificuldades são de terceiros. Vem esta reflexão a propósito do que hoje é referido no jornal i (1.ª pág.)colocando na boca do actual "presidente" do Secretariado Nacional (SN) da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) a seguinte afirmação: "Presidente das Misericórdias ameaça revelar os serviços de saúde que lhe devem dinheiro".
Já aqui nos referimos por mais que uma vez que a entrada das Misericórdias constituiu um erro que se está a revelar colossal em resultado do seguidismo da promoção da entrada destas instituições nos moldes em que o fizeram levados pelo actual "presidente" do SN da UMP.
Já também por mais do que uma vez aqui o referimos que a entrada das Misericórdias na área da saúde nos moldes em que foi feito só poderia conduzir a esta situação que não tem a ver com os atrasos nos pagamentos. É que mesmo que o estado - através dos seus diversos serviços - regularize os pagamentos às Misericórdias, as dificuldades financeiras nestas, não desaparecerão. O erro de base cometido é o seguinte: nenhum negócio seja de que natureza for tem a minima possibilidade de sucesso se tiver um único cliente. Ora o que se passa é que por promoção do actual "presidente" do SN da UMP as Misericórdias foram levadas e até, moralmente, ameaçadas para aderirem à prestação de serviços de saúde, em exclusividade para o Estado. E o resultado aí está. Rotura financeira das Misericórdias.
Desde os finais dos anos 80 do século passado que se tinha a fortissima convicção de que o Estado não disporia de condições para suportar um continuado aumento de financiamento às Instituições. Já nessa altura, dentro da UMP, se começava a tentar encontrar soluções alternativas para financiar as obras assistencias que as Misericórdias estavam a iniciar. Uma das possibilidades equacionadas então era a retoma da actividade farmacêutica, porque então se revelava uma actividade geradora de recursos. Tal era resultado da experiência vivida pelas mais de 3 dezenas de Misericórdias que possuiam e possuem farmácias e porque a actividade farmacêutica sempre esteve muito ligada às Misericórdias, havendo até que afirme que a verdadeira actividade farmacêutica teve início dentro das Msericórdias com forte ligação aos hospitais que na sua esmagadora maioria eram geridos por estas Instituições.
A partir do início dos anos 90 tal ideia foi, pura e simplesmente abandonada, tendo a partir de meados dessa década passado até a ser repudiada por quem detinha a "presidência" do SN da UMP. Situação esta que se agravou desde há 5 anos anos a esta parte com o actual "presidente". Este continua a apostar, exclusivamente, na prestação de serviços ao Estado e no financiamento público. O que já se revelou um erro de dimensões colossais.
Mas se falamos do passado numa reflexão intitulada "FUTURO" é porque queremos alicerçá-la. E nada melhor do que um alicerce de pensamento do que reflectir sobre o passado recente, porque também recente é a UMP. Tem agora 35 anos.
Mas se em finais dos anos 80 já se perspectivava que o estado não pudesse garantir um continuado e crescente financiamento às Misericórdias, agora essa perspectiva virou realidade e dura.
Portugal está mergulhado num mar tormentoso de dificuldades. O Estado tem cada vez menos recursos financeiros para garantir os compromissos, razão que o leva a aumentar os impostos da forma como o tem feito. E para não continuarem a aumentar o Estado vai ter que se redimensionar. Ora acontece que as três áreas onde a maioria dos recursos financeiros do esatado são gastos são: a Saúde, a Educação e a Segurança Social. Áreas estas que são as principais onde as Misericórdias intervêm. Isto quer dizer que as Misericórdias se não virem o financiamento por parte do esato reduzido já se podem dar por felizes. Mas isto deverá revelar-se a muito curto prazo uma impossibilidade. O Estado vai ter mesmo que passar a gastar menos e provavelmente bem menos nestas três áreas.
É para isto que as Misericórdias se devem ir preparando, para que o recurso a financiamento por parte do Estado seja, gradualmente, reduzido.
Por outro lado os Portugueses estão a constatar que o seu rendiemnto disponível está a reduzir-se de uma forma drástica. O que quer dizer que as comparticipações das Misericórdias que, genericamente, são fixadas em função do rendimento das famílias, também irão baixar.
Confrontadas com esta dura realidade, as Misericórdias vão ter as suas receitas sujeitas a uma continuada redução. O que quererá dizer que as Misericórdias, se não diversificarem as suas fontes de receita habituais, não terão a mínima possibilidade de continuar a garantir a prestação de serviços de que actualmente dispõem.
As Misericórdias estão a confrontar-se com um novo paradigma e que passa por estarem a sentir um crescendo de procura dos seus serviços e apoios, concom,itantemente, com uma redução significativa das suas receitas, a qual se irá agravar com o passar do tempo. No próximo ano, as Misericórdias irão ter muito mais dificuldades do que aquelas com as quais já se confrontam.
Acresce a isto que aquelas Misericórdias que embarcaram na loucura promovida pelos actuais "dirigentes" da UMP, nom,eadamenet, pelo "presidente" do SN, vão-se confrontar com uma diminuição da procura dos serviços por parte do Estado. Quer isto dizer que poderá haver até Misericórdias que nem sequer doentes irão ter, o que inviabilizará o funcionamento e operacionalização das unidades de saúde cujas obras ainda decorrem, senão mesmo inviabilizarão a própria Misericórdia.
O futuro próximo para as Misericórdias não se perspectiva nada fácil.
E com afirmações como a que hoje transcreve o jornal i na sua primeira página só provoca animosidades que terão como consequência o agravar das dificuldades com que as Misericórdias já se confrontam.
As dificuldades institucionais das Misericórdias são hoje enormes o que provocam constrangimentos operacionais na concretização da sua missão doutrinal.
As dificuldades que o País atravessa não são pasíveis de resolução a curto prazo.
As dificuldades crescentes com que os Portugueses se confrontam revelam-se na diminuição progressiva do rendimento disponível.
Tudo isto conjugado perpsectiva um mar de dificuldades que só em solidariedade inter-institucional dentro da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) será possível ultrapassar.
E se estas dificuldades originam problemas de progressiva complexidade, o que as Misericórdias menos necessitam é que o "presidente" do SN da UMP venha para os jornais tentar apagar o fogo com gasolina enriquecida.
De facto as Misericórdias o que mais necessitam agora e no futuro próximo é de um ambiente de boa harmonia quer com as instituições, com as entidades e com os cidadãos. Não podem nem devem criar e agravar climas de hostilidade tal como o está a fazer o "presidente" do SN da UMP.
As Misericórdias são Instituições promotoras de Paz e de harmonia entre os Homens. Climas de animosidade só reverterão a situação e revelar-se-ão, altamente, prejudicias para a missão de que estão investidas.
Nesta altura de dificuldades crescentes em que as mesmas são transversais a toda a sociedade o que menos se precisa é de provocar conflitos quando, à partida se deve ter consciência que do outro lado também existem dificuldades senão mesmo impossibilidades.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A UNIÃO

Reflectimos ontem sobre a prática da Doutrina Social da Igreja a que as Misericórdias estão vinculadas por opção voluntária.
O imperativo vivencial de Irmandade universal constitui o paradigma para a acção interventiva institucionalmente enquadrada.
A Irmandade universal é inspirada na Doutrina que enforma as Misericórdias e é possível dependendo da vontade dos Homens de Boa Vontade. É uma meta desafiante. É um percurso que é necessátio fazer. É um caminho para percorrer. É uma utopia concretizável e enquadrável na Doutrina que a suporta.
O reforço da coesão institucional passará pelos passos sustentáveis dados no caminho da construção e consolidação da Irmandade Universal.
Foi com este espírito que as Misericórdias irmanadas decidiram partir para a construção dessa utopia que será a Irmandade Universal, partindo do conjunto das Irmandades de todas e cada uma das Santas Casas. Foi com este espírito que, em 1976, tomaram a iniciativa de partirem para a construção de um caminho de unidade na acção para intervenção em cumprimento das 14 Obras de Misericórdia.
Nasceu então a União das Misericórdias Portuguesas (UMP) como necessidade sentida de coesão institucional suportada pelas respectivas Irmandades.
A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) nasceu como resultado de uma vontade surgida no seio do universo constituído pelas Irmandades das Santas casas da Misericórdia. Abriu-se, assim, a porta para um percurso comum iniciado muito antes, a comprová-lo estão os 4 primeiros congressos das Misericórdias, antes da fundação da UMP.
O V Congresso das Misericórdias, o último que foi convocado por livre iniciativa destas instituições revelou-se como intencionalmente realizável para concretização de um ideal de aproximação e coesão.
E porque foram os legítimos representantes da Irmandades que o convocaram constituiu-se como ponto de partida para um percurso que então teve início, de construir uma União de Irmandades. Estava, então, dado o primeiro passo no caminho da construção da Irmandade Universal.
As Irmandades sentindo a necessidade de corporizar a Dotrina inspiradora concretizaram um ideal de União. Esta deverá constituir-se como força aglutinadora de desejos e vontades de construção de um caminho de unidade para a acção.
Foi então criada a Instituição que corporiza a Doutrina que inspirou o surgimento das Misericórdias - a União das Misericórdias Portuguesas (UMP).
Fundada a União das Misericórdias Portuguesas (UMP) estavam então reunidas as condições necessárias e suficientes para aprofundamento da coesão inter-institucional entre as Misericórdias. Assim se construiu o "edifício" que assinalou um marco histórico numa já longa história de quase 5 séculos.
Um novo percurso colectivo se iniciou. Em simultâneo era fundamental consolidar a nova Instituição que acabara de nascer e, simultaneamente, procurar atrair todas as Irmandades para um movimento que tem em comum a Doutrina que as inspirou e orienta.
Este novo percurso iniciado há já 35 anos não se tem revelado fácil quer na agregação institucional quer no da construção da Irmandade Universal, constituído pela totalidade das Irmandades das Santas Casas da Misericórdia.
Várias têm sido as razões para tal, mas não tantas que sejam passíveis de fácil identificação.
Desde logo a não se assumir como única Instituição,verdadeiramente, agregadora das Misericórdias perdeu a sua capacidade de coesão universal. As Misericórdias dispersaram-se por duas instituições congéneres o que não tem facilitado a construção de um "edifício" coeso e sustentável. Por outro, a UMP pouco ou nada tem feito, nos últimos 20 anos, para "atrair" e enquadrar, institucionalemente, a totalidade das Misericórdias, representadas pelas respectivas Irmandades.
Chegou-se, hoje, a uma situação de dupla capacidade de representação. O caminho de coesão iniciado foi sendo minado por acções e procedimentos que abalaram, indelevelmente, a solidez com que se partiu.
A força agregadora demonstrada à partida foi-se esfumando com o tempo, em consequência do afastamento de muitas Misericórdias da sua União. A capacidade de representação foi-se esboroando. Hoje, as Misericórdias sentir-se-ão mais representadas pelas CNIS (ex-UIPSS). Porquê? Porque haverá tantas Misericórdias filiadas na CNIS como as que verdadeiramente estarão filiadas na UMP.
Dois factos recentes elucidam esta perca de capacidade de representação da UMP. A primeira resulta deo facto de a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) ter nomeado o Presidente da Direcção da CNIS para articular com a UMP. E o segundo aquando da audiência concedida pelo Senhor Presidente da República, na qual a única Misericórdia presente foi a de Bragança enquanto Dirigente da CNIS.
São factos desta natureza que fazem com que a UMP perca coesão e que as Misericórdias não se sintam verdadeiramente acolhidas no seu seio.
A força, a ceosão, a União de partida terá que ser reconquistada. Para tal a UMP terá que se constituir como força de atracção e agregadora. A União constrói-se atraindo.
É fundamental um novo impulso que crie as condições necessárias e suficientes para que a União das Misericórdias Portuguesas (UMP) se assuma de facto como precursora de uma vontade intrínseca de constituição de uma Irmandade Universal.
A partir daqui estarão criadas as condições fundamentais para que se gerem movimentos de âmbito caritativo (ou se quisermos uma palavra laica: solidário) promotor de bem estar e felicidade humana.
Sempre e quando os esforços se conjugam as potencilaidades geradas serão mais que proporcionais.
É esta força própria de quem desinteressadamente desja contribuir para a felicidade do seu semalhante que impulsiona o Homem para a acção.
A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) pode e deve revelar-se como protomora da construção da Civilização do Amor, correspondendo ao desafio lançado pelo Beato João Paulo II.
Só o Amor e a Fé movem montanhas.
A montanha de dificuladdes que cada vez mais dos nossos semelhantes enfrentam requer a participação empenhada de recursos e meios utilizados para fazer o Bem.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

AS MISERICÓRDIAS

Esta Instituição ímpar que terá nascido em Portugal mesmo no ocaso do século XV constitui um dos pilares da nossa Identendidade colectiva enquanto Nação.
Diz a história de Portugal que nesse final do século XV grande era a crise que assolava a Nação Portuguesa apesar da dimensão global que os Portugueses deram ao Mundo.
Cincidindo com a descoberta do caminho marítimo para a Índia, terá sido criada a 1.ª Santa Casa da Misericórdia, a de Lisboa.
Portugal é hoje o que é porque tem no seu ADN uma Instituição com a natureza e especificidade de um universo constituído pelas Irmandades das Santas Casas da Misericórdia.
Também hoje Portugal vive mais uma crise que está a provocar um empobrecimento generalizado quando a expectativa era a da consolidação de um Estado de Bem Estar em associação com os restantes países que integram a União Europeia.
O mundo continua a viver situações paradoxais inexplicáveis para uns, consequência de erros humanos para outros.
O espírito de Caridade apropriado como resultado de uma vivência cultural e doutrinal Cristã de 2.000 anos mantendo-se presente impulsiona os mais sensíveis e disponíveis para a acção junto daqueles que já só com os seus próprios recursos não conseguem sobreviver com o mínimo de dignidade.
Homens Bons e de Bem imbuídos do espírito Cristão da Caridade conjugam vontades e saberes a que juntam recursos de forma a apoiar e acolher aqueles que sós, caminham num deserto estéril.
A estes salvá-los-á quem os encontrar e os conseguir encaminhar para oásis próximo.
Apesar do sentimento de tais oásis serem poucos e distantes para quem tantas dificuldades enfrenta e vive atormentado há sempre quem encontre forças e vontades de ir ao encontro daqueles que sofrem.
Inspirados numa cultura milenar e na esperança que Deis feito Homem trouxe à Humanidade, alguns conseguem ainda no meio de um deserto em cresciemnto, encontrar oásis de vontades, de quereres, de Amor para ir ao encontro do seu Irmão.
Este espírito de Irmandade universal que Jesus Cristo nos trouxe é recriado pelas Santas casas da Misericórdia cuja "alma" é a Irmandade que a enforma e suporta.
A Instituição com a designação mais consentânea com o seu espírito inspirador e fundacional deverá merecer ser Irmandade da Santa Casa da Misericórdia.
Intencionalmente as Misericótrdias são Irmandades inspiradas na Fé doutrinal de um Pai único. Todos nascemos iguais filhos de um mesmo Pai.
É, inspirados neste sentimento de Irmandade que foi criado o universo das Misericórdias.
Constituíndo, as Misericórdias um universo particular dotado de uma identidade própria inigualável, fará sentido que dentro deste universo as Irmandades de todas as Misericórdias constituam uma única Irmandade.
Porque as Irmandades constituem o cimento da "alma" institucional, a Irmandade universal das Misericórdias acrescenta fortaleza e coesão desde logo no aprofundamento da cultura e doutrina fundacional.
A coesão institucional cimentada na doutrina gerará sinergias de dimensão superior o que permitirá encarar as dificuldades em ambiente de grande proximidade. Será esta proximidade que promoverá o surgimento de encontros supletivos de práticas irmanadas para satisfação colectiva.
A promoção de uma Irmandade universal inspirada na Doutrina que gerou as Misericórdias impulsionará movimentos de universalidade caritativa.
Será este salto que importa promover para que Portugal veja mais dificuldades ultrapassadas e os Portugueses se sintam mais Irmãos.
O sentimento de Irmandade universla abrirá as portas a movimentos de âmbito nacional que se traduzirá na criação e consolidação de redes de acção e inetrvenção junto dos que mais necessitam.
Criar as condições objectivas para que tal desiderato ser conseguido é tarefa daqueles que foram chamados a criar as condições necessárias e suficientes para atenuar, quando não acabar, com o sofrimento Humano.
A alegria de promover a felicidade alheia é também missão de todos e cada um. O Homem só será, verdadeiramente, Feliz quando conseguir que aqueles que lhe são próximos puderem partilhar dessa mesma alegria.
A aproximação de Homens e Instituições é missão que importa promover e concretizar para que a alegria e a felicidade possam ser construídas em ambiente de paz e amor.
O mundo será tanto melhor quanto o contributo individual se enquadrar no modo de ver e agir colectivo.
O Homem é um ser social.
É no seio da sociedade que o Homem se realiza e ajuda a realizar.
As Obras de Misericórdias revelam-se um hino da caridade que as Misericórdias adoptaram como missão.
Esta mesma caridade está bem expressa na parábola do Juízo Final que aqui transcrevemos, como recordatória de parte da missão que as Misericórdias, livremente, adoptaram:
"Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos;  Mateus 25:31-41".
É na prática do Bem que os Irmãos se revêem e é nesse mesmo espírito que procuram alcançar a felicidade.
Sendo a obra humana sempre imperfeita a missão das misericórdias jamais se esgotará. A actualidade e actualização das Irmandades permitiu-lhes sobreviver já mais de 5 séculos. Muitos mais será necessária a sua acção e intervenção junto dos que sofrem.
Onde ouver Homem haverá sempre sofrimento.
A atenção à realidade local e universal é missão que poderá ser recriada.
A criação de redes de caridade potenciará as acções individuais.
Em toda a nossa reflexão utilizámos, intencionalmente, a palavra Caridade pois que esta, na sua abrangência global vai muito além da significância do termo Solidariedade. A verdadeira Caridade é aquela que plha para o Homem na sua globalidade e promove a plena realização humana.